CRUZEIRO DO SUL: Vereador e grevistas da Educação discutem em evento do governo

Acreditando na participação do governador em evento, servidores da Educação de Cruzeiro do Sul organizaram protesto (Foto: Adelcimar Carvalho/G1)
Acreditando na participação do governador em evento, servidores da Educação de Cruzeiro do Sul organizaram protesto (Foto: Adelcimar Carvalho/G1)

Uma discussão envolvendo dois vereadores e servidores da Educação em greve marcou o lançamento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), no município acreano de Cruzeiro do Sul, a 648 km da capital Rio Branco. A situação ocorreu, nesta sexta-feira (17), os manifestantes acreditavam que o governador Tião Viana (PT-AC) participaria do evento.

Os grevistas, acompanhados da vereadora Iria Matos (PC do B-AC), chegaram ao local com cartazes, apitos e um carro de som. Irritado com a situação, outro parlamentar, o petista Valdemir Neto, teria, segundo os manifestantes, ido até onde a categoria estava e arrancado os fios que conectavam a caixa de som. Ele teria ainda dito ofensas à vereadora Iria Matos.

"Esperávamos que o governador estivesse presente nesse evento e viemos na intenção de abrir um caminho de negociação. Porém tivemos pessoas do lado do governo que partiram para agressão, arrancaram os fios da caixa de som e não vamos aceitar esse tipo de conduta com os trabalhadores", acusa o presidente do núcleo do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) em Cruzeiro do Sul, Valdenízio Martins.

Já a vereadora Iria Matos criticou o colega de parlamento. "Sinto muito por ele ser um representante do povo, ter saído de movimento social e hoje tratar uma categoria dessa forma. Defendo nossa categoria, independente de cor partidária", disse a parlamentar que integra o PC do B, um dos partidos da base aliada.

Alvo das acusações, o vereador Valdemir Neto negou as acusações do sindicato e da vereadora. Ele ainda devolveu as críticas. "Não é verdade que destratei ninguém. Falta de respeito é o que foi feito aqui. Uma meia dúzia de mal educados vieram em uma atividade de trabalhadores rurais desrespeitá-los", disse.

Já o secretário de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar, Glenilson Figueiredo, que comandava o evento, minimizou o incidente. "Era um momento de festa e a gente nem percebeu o movimento que estava sendo feito", disse.

Procurado pelo G1, o porta-voz do governo, Leonildo Rosas, negou que o governador fosse participar do evento em Cruzeiro do Sul. "Ele estava em Tarauacá", afirma.

Entenda o caso

Iniciada no dia 17 de junho, a greve dos servidores da Educação do Acre completou um mês, nesta sexta-feira (17). A categoria reivindica 25% de reajuste salarial, pagamento do Programa de Valorização Profissional (VDP) e do piso nacional para os outros servidores de escola. Além disso, quer um aumento de 20% sobre o piso e realização de concurso público para cargos efetivos.

De acordo com a presidente estadual do Sinteac, Rosana Nascimento, somente Rio Branco, 31 escolas estão com as atividades paradas. O Sinteac contabiliza ainda que, aproximadamente, 38 instituições estão em greve em pelo menos 12 municípios do interior do estado.

No dia 7 de julho, o governador Tião Viana (PT-AC) declarou que não há qualquer possibilidade do governo conceder qualquer reajuste aos servidores da Educação em 2015, culpando a crise econômica. “Não tem dinheiro, é uma crise nacional, o Brasil vai sair dela, mas esse ano, não tem qualquer possibilidade de conceder aumento“, afirmou na ocasião.

Dois dias depois, sindicalistas e governo tiveram um novo encontro, em que o executivo propôs a suspensão da greve e a formação de um grupo de trabalho com representantes da categoria e do governo. Esse grupo deveria montar uma proposta satisfatória para os dois lados até setembro, mês em que segundo o governo, será possível fazer uma projeção de quanto o governo deve ter de receita.

A proposta foi recusada pela categoria e Rosana Nascimento disse que se uma proposta só puder ser apresentada em setembro, os servidores permaneceriam paralisados até lá.

Ainda segundo a sindicalista a categoria está sofrendo pressão para que a greve acabe, incluindo ameaças de corte de salário, transferência de servidores, e até mesmo perda de contrato. Por isso, o Sinteac diz ter ingressado com denúncia no Ministério Público do Acre (MP-AC) e uma ação na Justiça do Trabalho.

Sobre essas acusações, o secretário de Educação, Marco Brandão, disse que órgão ainda não tomou conhecimento sobre as denúncias, nem sobre a ação movida pelos professores.

Adelcimar Carvalho e Yuri MarcelDo G1 AC

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