OPINIÃO: A utopia de um partido que não foi


Fabio Bolzoni

O Partido dos Trabalhadores surge em um contexto peculiar da história política do Brasil, contexto esse marcado pela “Ditadura Militar”; pelo grito libertador do movimento das “Diretas já”; pela novidade como um partido de massa criado no cenário Nacional.

O Partido trouxe o encanto de uma representação que superaria a marginalização política das classes trabalhadoras. Fora concebido para dar voz ao trabalhador: “Queremos mudar a relação entre capital e trabalho”; “Queremos que o trabalhador seja dono dos meios de produção, dos frutos de seu trabalho.” Esse era o grande discurso inflamador na formação ideológica do partido.

Dentro desta perspectiva, a ideia precípua do partido era ser usado como uma ferramenta que permitiria atuar e transformar o poder no país. Assim, sintetizava Lula, quando ainda era o presidente do PT.

O caminho para todo esse intento político era o famigerado “Socialismo”. Mas, segundo os discursos , não era um “socialismo” qualquer. Era um “Socialismo” que iria se definindo nas lutas do dia a dia. Um “Socialismo” que seria usado para emancipar às classes trabalhadoras. E a libertação dos trabalhadores seria a obra dos próprios trabalhadores.

Todo esse discurso imperioso, marcado pela emancipação das classes trabalhadoras frente a “opressão das classes dominantes”, serviu de base política engodológica para o voo do Partido dos Trabalhadores.

Mas, como sabemos, a lógica do discurso não permaneceu na solidez da realidade. O Brasil, então, conheceu dois Partido dos Trabalhadores, um, que se construiu fora do poder, sendo um partido marginal ao grande jogo político; outro, sendo o PT com o poder ao seu dispor.

Então, no ano de 2003, o Partido realizava seu grande sonho de consumo “socialista”, o sonho de se tornar o “grande chefe” do executivo. Mas esse sonho foi também seu declínio político. Estava começando, neste dia, um dos capítulos da utopia de um partido que se encantou pelo poder. Que se lambuzou com os benefícios do poder.

Encantados pelo poder, os petistas começaram a saborear os privilégios, aqueles mesmos que combateram durante duas décadas. Porém, agora, era a vez do grupo de “esquerda” saborear algo tão agradável. Estavam satisfeitos. Engordaram, trocaram de mulher; deixaram de lado a cervejinha e a cachaça e passaram a pedir, nos melhores restaurantes, a carta dos melhores vinhos. Mudaram tudo, talvez até mesmo o lado.

O partido que sempre lutou por mudanças. Que iria combater a corrupção, pois “ser honesto é mais do que apenas não roubar. É também aplicar com eficiência e transparência, sem desperdícios, os recursos públicos”. Essas eram as palavras da salvação. E com essas palavras prometiam uma nova “Jerusalém” ao povo Brasileiro.

A verdadeira mudança trazida pelo PT foi a mudança de lado. Largou a mão do povo, largou a mão de sua posição “socialista”, largou o Brasil na Lama da corrupção, do descaso, das más alianças.

O PT se perdeu em seu discurso ufanista. Ninguém imaginou que se tratava de um processo muito mais complexo. Em vez da ruptura, a continuidade do que havia de mais arcaico na ordem senhorial brasileira.

*Fabio Bolzoni é formado em História pela Universidade Federal do Acre e Graduando em Ciências Sociais com Habilitação em Ciência Política.

Fonte: http://www.ac24horas.com/

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