Ministério Público quer delação de Eduardo Cunha

Fonte: http://ubaitaba.com
Com a cassação do mandato de Eduardo Cunha, há movimentos em curso do ex-deputado federal e do Ministério Público Federal.

Cunha está seguindo um caminho lógico e que faz parte do histórico da Lava Jato. Sem saída, discute com a sua defesa uma colaboração premiada. Também como manda o figurino, por enquanto, nega publicamente a intenção de delatar.

Integrantes do Ministério Público fazem o habitual jogo de pressão, dizendo, num primeiro momento, que não estão muito interessados porque as investigações estão avançadas, que Cunha seria um símbolo da corrupção que mereceria ficar muitos anos na prisão e que pegaria mal negociar com ele.

No mundo e no submundo da política, Cunha é um dos principais personagens do país. Não há dúvida de que tenha participado de grandes transações nos bastidores. O peemedebista era procurado por empresários. Muitas vezes, assuntos que o Executivo não resolvia eram solucionados em conversas com Cunha no Legislativo.

É óbvio que o Ministério Público tem interesse numa delação dele. Como também é cristalino o interesse de Cunha em delatar para proteger a família. Seguir esse caminho, aliás, é um direito de defesa dele.

O interesse público reside no que ele sabe e no que ele poderia provar. Há atualmente um mercado de delações no país. A “Folha de S.Paulo” publica hoje uma reportagem em que a defesa do ex-ministro Paulo Bernardo acusa o ex-senador Delcídio do Amaral de mentir numa delação. Segundo a defesa, Delcídio teria feito lobby justamente para empresa beneficiada num esquema de corrupção que o ex-senador disse numa delação ter ligação com Bernardo. Bernardo nega.

Delações por si não são prova suficiente para condenar alguém. É preciso cuidado com seu conteúdo, para não beneficiar mentirosos, o que seria injusto.

No entanto, seria muita ingenuidade achar que Eduardo Cunha não fará uso dessa carta, mesmo ciente de que a prisão em regime fechado seria provável. Também seria ingênuo acreditar que o Ministério Público não tenha interesse no que ele poderia dizer, pois poderia trazer fatos novos e assombrosos a público. Uma delação de Cunha é de interesse público.

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Reação do Palácio do Planalto

Por ora, a reação do Palácio do Planalto aos rumores sobre uma eventual delação de Eduardo Cunha é a seguinte: esperar a eventual bomba e mostrar serviço administrativo, votando projetos no Congresso e pondo fé no plano de privatização para 2017 e 2018 apresentado ontem.

Para o presidente Michel Temer, a cassação de Cunha foi ruim, mas poderia ter sido pior se não tivesse acontecido. Ruim porque abre esse espaço de retaliação para um ex-aliado, mas seria pior ficar refém da imagem pública de que Cunha tem segredos que abalariam o governo.

Em conversas reservadas, Temer diz que Cunha não tem nada que possa incriminá-lo. Admite que o peemedebista marcou conversas com empresários. Restaria, então, esperar os próximos passos do ex-presidente da Câmara.

Enquanto isso, buscaria se fortalecer na economia. Dilma caiu porque conviveu com duas crises, uma política e outra econômica. Temer avalia que precisa resolver a crise econômica para atravessar tempestades políticas. Não há outra rota para chegar a um porto seguro.

KENNEDY ALENCAR 
BRASÍLIA

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