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Ao vivo: Propina era 1 dólar a dose, reafirma Dominguetti na CPI da Covid

No depoimento, Dominguetti declarou ter recebido o pedido de propina no dia 25 de janeiro por Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de Logística em Saúde do ministério

Em pronunciamento, à CPI representante da empresa Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira. (Pedro França/Agência Senado/Flickr)

BRASÍLIA — O empresário Luiz Paulo Dominguetti reafirmou à CPI da Covid, no Senado, a denúncia de que o ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Dias pediu propina de US$ 1 por dose de vacina. Ele, que também é cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, depõe nesta quinta-feira à comissão. Dominguetti tinha se apresentado como representante da Davati Medical Supply — que diz ser intermediária na venda da vacina AstraZeneca — e denunciou um suposto esquema de propina no governo em entrevista publicada ao jornal "Folha de S. Paulo". O depoimento do vendedor estava originalmente marcado para sexta-feira, mas foi antecipado por decisão do colegiado.

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Dominguetti disse que a primeira proposta era de US$ 3,5 por dose, o que não incluía a propina pedida. Segundo o vendedor, ele foi apresentado à Dias pelo coronel da reserva do Exército Marcelo Blanco, que ocupava cargo no Ministério da Saúde.

— Na verdade, o coronel Blanco já vinha há dias fazendo essas tratativas entre a Davati com Roberto Dias. Eu não tinha o contato, nunca conversei com o Roberto Dias por telefone, por WhatsApp... As tratativas eram (entre) Roberto Dias, o Blanco e o Cristiano, CEO da Davati. Até que o coronel Blanco sugeriu uma vinda minha e do Cristiano a Brasília para se tratar especificamente dessa aquisição.

Ele disse que Roberto Dias não citou os nomes do então ministro Eduardo Pazuello e seu secretário-executivo Elcio Franco.

Antes, Dominguetti falou sobre o entrave na negociação por causa de Dias:

— Eu não acredito que ele tinha como facilitar. Nunca foi buscada essa facilidade por parte do Roberto. Foi sempre colocada uma oferta justa, uma oferta comercial para o ministério. (...) Essa facilidade não ocorreu porque ele sempre pôs o entrave no sentido de que, se não se majorasse a vacina, não teria aquisição por parte do ministério — disse o policial.

Ele disse que não houve pedido de antecipação de pagamento ao Ministério da Saúde.

A tropa de choque do governo tem o reforço na sessão desta quinta-feira do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro. Flávio não é integrante da CPI, mas vem aparecendo em algumas reuniões para defender o governo do pai.

Representação da Davati

Dominguetti, que não fez uso dos 15 minutos a qual tem direito para discursar, disse que teve um acordo verbal com o representante da Davati no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho, para atuar em nome da empresa junto ao Ministério da Saúde.

— Havia um acordo inicial verbal com o CEO da Davati no Brasil, o Cristiano, em que eu tinha o consentimento dele para que representasse a Davati — disse.

Segundo ele, foi Cristiano quem pediu a Herman Cárdenas, presidente da Davati, com sede nos Estados Unidos, a inclusão dele na negociação com o Ministério da Saúde.

— Cristiano que pediu ao Herman minha inclusão.

Ao GLOBO, Cardenas confirmou que Dominguetti foi incluído como intermediário da negociação com o Ministério da Saúde, mas disse que ele não é representante da companhia no Brasil.

— Estou ciente disso. Nos disseram para inclui-lo, mas ele não estava nos representando. A Davati não tinha conhecimento de quem ele era, então presumimos que ele era representantes deles — disse Cárdenas ao GLOBO.

Ida ao ministério

Dominguetti afirmou que foi ao Ministério da Saúde no dia seguinte que teve o encontro no restaurante com autoridades da pasta, onde teria acontecido a oferta da propina.

— Depois do encontro foi agendada a minha ida ao ministério no outro dia. Chegando lá, fui recebido por Roberto Dias na sala dele.

Antes, no início da sessão, Dominguetti afirmou ter ido ao ministério negociar vacina:

— Eu estive três vezes no ministério ofertando vacinas.

E explicou que trabalhava nesse tipo de negócio para complementar renda:

— Sou cabo da Polícia Militar e, como complementação de renda, comecei a atuar no mercado de insumos.

O vendedor é ouvido no lugar de Francisco Maximiano, empresário investigado no caso Covaxin que conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de permanecer em silêncio.Integrantes da CPI avaliaram que, após a decisão do STF, não valia mais a pena manter a sessão com Maximiano pelo risco de se repetir o ocorrido com o empresário Carlos Wizard, que, nesta quarta-feira, valeu-se da mesma prerrogativa concedida pelo Supremo para não responder às perguntas feitas pelos senadores. A mudança no calendário foi oficializada na noite desta quarta-feira.

Fonte: https://extra.globo.com/

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