Mais de 30 indígenas são atacados por doença desconhecida em Feijó
Feijó -
Depois das sucessivas mortes de crianças indígenas nas aldeias do
município de Santa Rosa do Purus por rotavírus, a tribo Huni Kui, do rio
Envira, em Feijó, está sendo afetada por uma grave enfermidade que já
atingiu 34 índios, na comunidade Boca do Grota.
Oito
índios deram entrada no Hospital Geral de Feijó na noite desta
quarta-feira, 22, com sintomas de diarréia e febre alta, alguns em
estado gravíssimo, com risco de ir à óbito.

A
vítima do vírus desconhecido chegou a noite no hospital junto com o
presidente da Federação do Povo Huni Kui do Acre (Fephac), Ninawá Huni
Kui/Fotos: Wania Pinheiro
O
presidente da Federação do Povo Huni Kui do Acre (Fephac), Ninawá Huni
Kui, esteve na aldeia com os doentes, e telefonou para Feijó apelando
por ajuda para resgatar os indígenas em estado mais grave.
Uma
equipe de sete médicos do Instituto Evandro Chagas também esteve nas
aldeias, além de médicos da Secretaria Municipal de Feijó, que foram
enviados pelo prefeito Dindim Pinheiro ao local para atender o pedido de
resgate das vítimas.
As informações dos indígenas são de que no local não existe sequer soro fisiológico ou qualquer paliativo contra febre.
“É
uma situação de penúria e total abandono. A população indígena acreana
está sendo dizimada por doenças oportunistas e pelo abandono “, disse
Ninawá.

O indígena em situação mais crítica está internado no Hospital Geral de Feijó
O
chefe do Distrito Especial de Saúde Indígena (DSEI), do Juruá, José
Francisco Armando está ausente de Feijó, e o chefe do Pólo de
Atendimento, Mário Kaxinawá está em Rio Branco.
A
Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) também não levou representantes às
aldeias e foi necessário acionar a chefe de Assistência a Saúde
Indígena em Brasília, Ivânia Marques, que disse não entender o porquê da
falta de apoio do órgão aos indígenas.
Desesperados,
líderes do Movimento Indígena Unificicado (MIU) telefonaram para
secretária estadual de Saúde, Suely Melo, que solicitou uma ação
enérgica para transportar os índios, o auxílio de médicos e técnicos do
Instituto Evandro Chagas e atendimento imediato aos pacientes.
O
representante da Fundação Nacional do Índio (Funai) no município,
Carlos Brandão, disse que a situação da saúde indígena é grave na região
e que muitas mortes ocorreram e podem continuar acontecendo caso não
sejam tomadas providências imediatas sobre o caso.

Marcos Mota, médico do Instituto Evandro Chagas
“Situação é grave”, dizem médicos que atenderam indígenas
O
médico do Instituto Evandro Chagas, Marcos Mota, disse a reportagem da
Agência ContilNet que a situação dos indígenas afetados é grave, mas que
somente será confirmada a doença após a realização de exames médicos,
sendo necessário ainda realizar uma pesquisa na região para detectar a
causa do problema.
O
médico de plantão no hospital de Feijó na noite desta quarta-feira,
Rosvaldo de Aguiar, o Dr. Baba, admitiu que a saúde indígena no
município é crítica e enfatizou que as doenças que atingem os índios são
muitas, incluindo pneumonias, desnutrição crônica, rotavírus, gripes
virais, entre outras.
Baba
questiona a falta de assistência a saúde e diz que a maioria dos
responsáveis pelos povos indígenas não têm compromisso com seus povos e
não há o mínimo de atendimento nas comunidades, que chegam a ficarem
distantes dois dias de barco da cidade.
Informações
do enfermeiro Cícero Frankalino, que trabalha há vários anos na saúde
pública estadual, dão conta de que o mesmo problema ocorreu no ano de
2005 atingindo dezenas de índios da região.
Suely Melo presta apoio, mas Pólo e DSEI negligenciam vítimas
Negligenciados
pelos chefes do DSEI, Sesai e pelo Pólo do Juruá, responsáveis pela
saúde indígena no Estado, as lideranças da Fephac telefonaram para
secretária estadual de Saúde, Suely Melo, pedindo ajuda para salvar a
vida dos índios afetados por febre alta e diarréia nas aldeias.
Do
aeroporto de Brasília, Suely solicitou o envio de um médico para
atender os pacientes e mobilizou a equipe do hospital de Feijó para
amenizar os sintomas das vítimas.
“Nós
tivemos muitas perdas, mas as vidas que estamos conseguindo poupar tem o
apoio da secretária de Saúde, Suely Melo. Acontece que a causa desse
problema é muito mais complexa e grave do que a sociedade imagina”,
disse Ninawá Huni Kui.

Oito índios foram levados para o hospital com sintomas de febre, diarréia e vômito
Fonte: http://www.contilnet.com.br/


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