Brasil tem pelo menos 23 mil gestores e políticos “fichas sujas”
Pelo menos 23 mil políticos, gestores municipais, estaduais e
federais devem ser declarados impedidos de se candidatar nas eleições
de 2012 por irregularidades em suas prestações de contas. Os dados
tabulados pelo iG tomam como base as listas de inadimplência junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e Tribunais de Contas Estaduais (TCE).
Eleições 2012: TSE libera candidatos com contas-sujas
De acordo com a Lei Complementar nº 64/1990 (lei das
inelegibilidades) e com a Lei Complementar 135/2010 (Lei da Ficha
Limpa), estão impedidos de se candidatar a cargo eletivo os
gestores/políticos que tiveram suas contas rejeitadas por
“irregularidade insanável” em casos em que não cabe mais recurso, com
condenação por ato de improbidade administrativa. Os Tribunais de Contas
nos Estados são obrigados a entregar aos Tribunais Regionais Eleitorais
(TREs) a lista de gestores com contas rejeitadas - o prazo expirou
ontem - e cabe somente à Justiça Eleitoral decidir se o gestor que está
na lista dos TCE é inelegível ou não.
Em muitos casos, como na lista do TCE de São Paulo, alguns nomes
aparecem com a ressalva "apartado", ou seja, respondem a itens
retirados da conta principal - conta anual do gestor - e não configuram
inelegibilidade.
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Depois de entregar a lista de inadimplentes à Justiça
Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral (MPE) ainda precisa ingressar
com ações de impugnação das candidaturas de gestores “fichas-sujas” que
foram registradas nos respectivos Tribunais Regionais Eleitorais.
Até o fechamento desta reportagem, na tarde desta
quinta-feira, três Tribunais de Contas ainda não haviam entregue as
listas de políticos inadimplentes: o de Minas Gerais, o de Alagoas e o
de Roraima. Destes, apenas o Tribunal de Contas de Minas Gerais negou-se
a divulgar, mesmo após o prazo, a sua lista de inadimplentes. A
assessoria de imprensa do órgão classificou a lista de gestores com
contas rejeitadas como “sigilosa”.
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O Maranhão é o Estado com o maior número de gestores inadimplentes:
2,8 mil. Piauí, Paraná e Pará, vem em seguida com 1.850, 1.608 e 1.463.
Ceará é o Estado com o menor número de inadimplentes junto ao Tribunal
de Contas do Estado: 15. Nas listas do TCU, o Distrito Federal tem o
maior número de gestores irregulares: 707; Maranhão aparece em segundo,
com 537 nomes.
O presidente do Tribunal de Contas do Maranhão, Edmar
Cutrim, afirmou que o grande número de gestores considerados
inadimplentes no Estado é fruto de uma maior rigidez no julgamento das
contas, ligada à ainda existente cultura da impunidade quando se trata
de recursos públicos. “As pessoas apanham para depois se corrigir”,
afirmou Cutrim. “Nós também passamos por uma modernização e isso
colabora para esse trabalho”, pontuou.
Ano passado, manifestantes saíram às ruas em todo o País para protestar contra fichas sujas
Nas capitais, a lista de inadimplentes não vai interferir nas principais candidaturas. Os maiores impedimentos serão para candidatos a prefeito no interior. No Rio de Janeiro, por exemplo, as pendências com os Tribunais de Contas do Estado e com o Tribunal de Contas da União deve impedir a candidatura do ex-prefeito de Niterói, Godofredo Pinto (PT).
Em Pernambuco, o deputado estadual Carlos José de Santana
(PSDB), pré-candidato da cidade de Ipujucá (onde está localizado o Porto
de Suape e a praia de Porto de Galinhas) também deve ser considerado
inelegível.
O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Walter Porto
classifica como positivas as leis elaboradas para impedir políticos que
tem registros de irregularidades em sua carreira. No entanto, ele alerta
que esse tipo de legislação “infantiliza” o eleitor. Segundo Porto,
leis como a nº 135/2010 tiram do cidadão um poder de fiscalização que
deveria ser natural em qualquer cidadão brasileiro.
“Essa escolha (do político com irregularidade ou não) deveria ser
feito pelo voto consciente. Hoje, eu sei o que é recomendado ou não.
Existem meios de comunicação e acesso à informação para isso. Mas o
eleitor não faz isso. Se houvesse educação cívica, não se precisaria de
lei nenhuma”, disse Porto.
Número de inelegíveis por Estado (click no nome do Estado para ter acesso à lista completa dos TCE’s entregue aos TRE’s)
Região Sudeste
Rio de Janeiro 499
São Paulo 1.169
Espírito Santo 445
Minas Gerais não entregou até o fechamento desta matéria
Região Nordeste
Maranhão 2.822
Piauí 1.850
Ceará 15
Alagoas não entregou até o fechamento desta reportagem
Sergipe 189 (lista parcial – referente a maio)
Pernambuco 1.042
Bahia 218
Paraíba 855
Região Norte
Pará 1.463
Amazonas 710
Acre 66
Amapá 64
Rondônia 371
Roraima não entregou até o fechamento desta matéria
Tocantins 403
Região Centro-Oeste
Goiás 25
Mato Grosso 362
Região Sul
Paraná 1.608
Santa Catarina 347
Fonte: www.ig.com.br



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