POLÍTICA: Salto de IDH depende de educação, diz professor da FGV

O professor Kaizô Iwakami, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV (Fundação Getúlio Vargas), diz que o Brasil só dará um salto no ranking de desenvolvimento humano se investir em educação. Ele explica que avanços nessa área acarretariam melhoras na saúde e também na renda das pessoas.
De acordo com relatório divulgado pela ONU nesta quinta-feira, o Brasil avançou, em 2013, uma casa no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – indicador que considera saúde, educação e renda da população. Em 2012, o IDH do Brasil era de 0,742. No ano passado, o índice foi para 0,744 e o país ocupa, agora, a 79ª posição, em um lista de 187 países.
Quando se considera a desigualdade do país, no entanto, o IDH brasileiro cai para 0,542. Segundo Iwakami, isso se deve a uma “supervalorização dos diplomas”, que gera um “hiato” entre os salários de empregados com nível superior e de nível fundamental. “O acesso igualitário à educação é a chave”, diz Iwakami.
Confira a entrevista:
O Brasil melhorou uma posição no ranking do IDH. Esse crescimento deve ser comemorado? Não é um ritmo lento para uma economia que está entre as 10 maiores do mundo?
Qualquer crescimento deve ser comemorado. É bom lembrar que é uma situação relativa, melhorar na posição do ranking significa que se está melhorando a uma taxa maior do que a média dos demais. Comparando com nossos vizinhos da América Latina (AL), em 1980 o IDH do Brasil era 0,545 e o da AL era 0,579. Ou seja, tínhamos uma desvantagem de 6%. Em 2013, o IDH do Brasil e da AL, foram, respectivamente, 0,744 e 0,740: Brasil numa situação ligeiramente superior.
É possível fazer com que o Brasil dê um salto no ranking do IDH? O que deve ser feito?
Saltos são mais difíceis, pois as variáveis que o compõe avançam suavemente: escolarização/educação, esperança e renda. De qualquer forma, a educação é considerada um antecedente próxima tanto para saúde como para a renda: uma melhora na educação deve acarretar uma melhora na saúde (e consequentemente na esperança de vida), na renda pessoal e na produtividade para o país.
Quando se considera a disparidade entre ricos e pobres, o IDH do Brasil é reduzido em 27% — de 0,744 para 0,542 — e o país despenca 16 posições no ranking global. Como a desigualdade deve ser combatida?
Penso que o acesso igualitário à educação é a chave. Fora isto temos uma supervalorização dos diplomas e um grande hiato entre os salários do pessoal do nível superior e de nível fundamental. Alguns países não apresentam um hiato tão grande. Note que estas não parecem ser as condições suficientes (mas somente necessárias). Os EUA, cai 23 posições quando se considera a desigualdade.
O IDH do Brasil, 0,744, é melhor do que a média dos países da América Latina e Caribe (0,740). Mas, no ranking global, estamos em 79º, bem atrás do Chile (41º), da Argentina (49º) e do Uruguai (50º). Em quanto tempo conseguiremos nos equiparar aos nossos vizinhos?
Não sei se chegaremos a nos equiparar a nossos vizinhos. De qualquer forma, repito que educação é a chave: investir em educação.
Fonte: http://www.blogdokennedy.com.br/


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