POLÍTICA: Jorge Viana diz que políticos gastaram mais de 4 bilhões nas eleições passadas

Jorge: “Estou me referindo a muitos bilhões de reais que foram o custo das eleições no Brasil "

Em discurso na tribuna do Senado nesta segunda-feira (29), o senador Jorge Viana destacou o clima de otimismo da Comissão da Reforma Política do Senado, que ele preside, no sentido de dar mais transparência à atividade política e especialmente diminuir os custos da atividade das campanhas eleitorais, o que ele considera um dos principais males do atual regime político brasileiro. Ele defendeu a necessidade de fortalecer a atividade política e partidária do país.

Para o Vice-presidente do Senado, o financiamento de campanha é a principal causa das denúncias que estampam os jornais do país, envolvendo candidatos de todos os partidos, tanto da oposição como os da base do governo. Ele citou os altos custos das campanhas eleitorais de 2014 para exemplificar como “as campanhas no Brasil estão ficando absurdamente caras”.

De acordo com levantamento apresentado pelo senador, foram gastos no Brasil, oficialmente, para as campanhas a deputado estadual, R$ 1,2 bilhão; para governador, em 27 estados, foram gastos R$ 1,1 bilhão; para deputado federal, foi gasto outro bilhão de reais; para presidente da República foram R$ 831 milhões; e, para senador o gasto foi de R$ 252 milhões.

“Estou me referindo a muitos bilhões de reais que foram o custo das eleições no Brasil no ano passado. Foram mais de R$ 1 bilhão em materiais impressos; R$681 milhões em horário eleitoral; R$400 milhões em placas”, exemplificou o senador, citando ainda outros custos como carro de som, publicações em jornais e revistas, produção de jingle e slogans, telemarketing, contratação de pessoal, transportes, pesquisas e eventos.

Ele citou como referência as eleições nos Estados Unidos, onde o modelo adotado pelos dois candidatos na última eleição para presidência foi o das doações populares, especialmente via Internet. O presidente eleito Barack Obama, por exemplo, arrecadou US$ 661 milhões para a campanha, sendo que 99% de todas as doações foram de pessoas físicas.

Nesta terça-feira, a partir das 14 horas, a Comissão de Reforma Política irá se reunir na Comissão de Constituição e Justiça para apresentar o plano de trabalho e dar início às discussões do projeto. Para Jorge Viana, a questão do financiamento das campanhas será fundamental neste debate.

“Não há, no sistema de hoje, nenhuma diferença de arrecadação entre o dinheiro empresarial que entra no PT, no PMDB, no PSDB, no Democratas ou no PFL. A única coisa que muda é o discurso aqui da tribuna: alguns apontam o dedo e acusam, outros recebem acusação. Acho que isso não é um bom caminho. Eu estou sentindo que é um entendimento de todos para, pelo menos, darmos uma satisfação à opinião pública, reduzirmos os custos de campanha e darmos mais transparência ao processo eleitoral”, destacou ele.

Agenda no Acre

Jorge Viana também fez referência à agenda que cumpriu no Acre no último fim de semana. Ainda acerca das conversas sobre Reforma Política, ele falou sobre o documento que recebeu durante audiência com os juízes do Tribunal Regional Eleitoral do Acre, incluindo o presidente da entidade, desembargador Adair Longuini, sobre os pontos que eles consideram mais importantes para apreciação no Senado Federal.

“Eles, que presidem as eleições, conhecem como ninguém as dificuldades, os desafios em presidir eleições no Brasil hoje, com uma lei com muitas fragilidades e que deixa margem para o abuso do poder econômico”, declarou.

E na sexta-feira, dia 26, o senador participou do seminário sobre os 10 anos do Parque Estadual Chandless e esteve reunido com professores do comando de greve da Universidade Federal do Acre que lhe pediram apoio para o movimento. Durante a conversa, os professores entregaram ao senador um documento destacando as principais reivindicações do movimento, como a melhoria nas condições de trabalho, reestruturação da carreira docente e a valorização salarial de ativos e aposentados.

“Estarei nesta semana com o Ministro Nelson Barbosa (Planejamento), vou conversar com o ex-governador do Acre, hoje Secretário do Ministério da Educação, Binho Marques, procurando reproduzir para o Governo Federal as preocupações, os apelos que recebi dos professores da Adufac”, garantiu o senador.

Fonte: http://www.contilnetnoticias.com.br/

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