SÃO PAULO: Reorganização escolar de Alckmin pode atingir 2 milhões de alunos

Mídia Ninja
Esta semana o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou um plano de reorganização escolar cujo objetivo é dividir as escolas públicas do estado por ciclos. Desta forma, cada escola ofereceria apenas um, dos três ciclos de ensino básico, que seriam divididos entre Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

No entanto, esta reorganização vai resultar no fechamento de centenas de escolas públicas e demissões em massa de professores e funcionários, além de superlotar ainda mais as salas de aula. A mudança vai atingir os estudantes que precisarão alterar o local de matrícula e isso significa ter de estudar em uma escola bem mais distante da moradia.

Segundo o secretário de Educação de São Paulo, Herman Voorwald, o plano pode fechar até mil escolas, isso atingiria 2 milhões de estudantes. Atualmente a rede estadual conta com 5.108 escolas e 3,8 milhões de alunos. A mudança pode transferir boa parte dos alnos para escolas até 1,5 quilômetro mais distantes de onde estudam atualmente. A redistribuição escolar será anunciada no dia 14 de novembro por meio de encontros com pais e responsáveis.

Até o momento, 155 escolas já receberam comunicados sobre o fechamento. A Apeoesp (Sindicato dos Professores da Rede Pública de São Paulo) identificou que além destes centros de ensino, outros 17 podem ser fechados na região do ABC Paulista (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema e Mauá).

Manifestações e repressão policial

Desde que a medida foi anunciada, estudantes e professores ocuparam as ruas em manifestações em mais de 25 cidades. Na capital paulista os protestos tem acontecido em diversos pontos, de forma orgânica, organizados pelos estudantes por meio dos grêmios estudantis.

Durante toda esta semana acontecerem manifestações quase diariamente, uma das mais expressivas foi na escola Caetano de Campos, na Aclimação, onde os alunos seguiram até o vão livre do Masp, na Avenida Paulista e depois uma parcela partiu em passeata até a Secretaria Estadual de Educação, na Praça da República, onde uma comissão foi recebida, mas não avançou em negociações.

Nesta sexta-feira (9) mais de cinco mil estudantes fecharam a Avenida Paulista e foram recebidos pelas tropas de choque da PM. Com uso desproporcional de força, a polícia hostilizou a imprensa e prendeu dois homens, um deles é professor. Segundo relatos, jornalistas e estudantes foram agredidos com empurrões e sofreram ataques.

Além da agressão física, a polícia destruiu equipamentos de trabalho de jornalistas e ameaçou quebrar o celular de uma estudante, antes de atingi-la com spray de pimenta.

Desmonte da Educação

No começo deste ano os professores da rede pública estadual fizeram a maior greve da história da categoria para denunciar as condições precárias de trabalho, os baixos salários e a superlotação das salas de aula. Eles reivindicaram 75,33% de aumento para equiparar o salário com demais categorias com formação de nível superior. A greve encerrou em abril sem avançar nas negociações devido à falta de flexibilidade do governo estadual.

Segundo a secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp, Francisca Pereira da Rocha Seixas, a situação dos professores chegou a um ponto insustentável. Ela denuncia um “desmonte da Educação” que está acontecendo em “três pilares”: superlotação de salas, desvalorização da profissão e precarização do plano de carreira. 

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apontam que se São Paulo fosse um país, estaria na 58ª posição, abaixo de Brasil, Uruguai e Chile e acima somente de oito países, incluindo Jordânia, Colômbia e Peru.


Créditos da foto: Mídia Ninja

Fonte: www. cartamaior.com.br/

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