Cunha contradiz Temer em depoimento a Moro e complica o presidente; assista

Deputado cassado afirmou que Temer estava em reunião sobre cargos do PMDB na Petrobras; disse também que "sabia de tudo e de todos" na política
Beto Barata/ PR 04.09.2016
Deputado cassado discorda de Temer. "A resposta do presidente às perguntas está equivocada"

Em seu primeiro depoimento ao juiz federal Sérgio Moro – que investiga os processos da Operação Lava Jato, em Curitiba –, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou nesta terça-feira (7) que o presidente da República Michel Temer (PMDB) participou, em 2007, de uma reunião com a bancada do partido para discutir indicações para diretorias da Petrobras.


A afirmação do ex-presidente da Câmara contradiz o depoimento dado por escrito por Temer , quando o presidente depôs a Moro, como testemunha de defesa de Cunha. Em suas informações o presidente declarou que “não houve essa reunião”, citada na denúncia da força-tarefa da Lava Jato contra Eduardo Cunha.

O deputado cassado discorda. "A resposta do presidente às perguntas está equivocada. Ele participou, sim, dessa reunião e foi ele que comunicou a todos nós o que tinha acontecido na reunião, porque não era só o cargo da Petrobras, eram outras várias discussões que aconteciam no PMDB”





Na época, Michel Temer ocupava a presidência nacional do partido.


“Essa reunião era justamente pelo desconforto que existia com as nomeações do PT de Graça Foster para a Diretoria de Gás e José Eduardo Dutra para a presidência da BR Distribuidora terem sido feitas, sem as nomeações do PMDB terem sido feitas”, afirmou Cunha.

O ex-presidente da Câmara explicou que “houve uma revolta da bancada do PMDB na votação do CPMF”. “Nesse dia, eles chamaram, Michel e Henrique Alves chamaram para essa reunião, para acalmar a bancada, e a bancada acabou votando em seguida a CPMF.”

Sabe-tudo

Cunha contou também que, semanalmente, tinha reuniões com Temer e outros coordenadores do PMDB para “debater e combinar toda situação política”.


"Nós tínhamos um hábito que era praticamente semanal: eu, Henriquei Alves, Michel Temer, Fernando Diniz e Tadeu Filippelli, nos reuníamos pelo menos duas vezes por semana, ia no almoço ou no jantar, pra debater e combinar toda a situação política. Então, tudo era reportado e a gente sabia de tudo e de todos", depôs.

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