Operadores do PMDB que estavam foragidos da Lava Jato são presos nos EUA

Acusados de movimentar R$ 40 milhões em propinas, lobistas Jorge e Bruno Luz foram detidos hoje em Miami; trâmite para extradição está indefinido
Tânia Rego/Agência Brasil - 31.7.2015
Lobista Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz, teriam movimentado cerca de R$ 40 milhões desviados da Petrobras, diz MPF

A polícia de imigração dos Estados Unidos prendeu nesta sexta-feira (24) o lobista Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz. Os dois são acusados apontados como operadores do PMDB no esquema de corrupção investigado pela Lava Jato e estavam foragidos desde ontem (23), quando foram cumpridos mandados de prisão preventiva expedidos pelo juiz federal Sérgio Moro. 

A extradição dos dois acusados de volta ao Brasil ainda não tem data para acontecer. A possibilidade de que a dupla estivesse nos Estados Unidos já era prevista pela força-tarefa da Lava Jato , o que fez com que Moro solicitasse em seu despacho a inclusão dos dois na lista vermelha de procurados pela Interpol. 

Jorge e Bruno Luz teriam repassado ao menos US$ 6 milhões a campanhas do PMDB a pedido dos senadores Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), segundo a força-tarefa de procuradores da Lava Jato.

De acordo com a denúncia recebida por Moro, o montante é apenas parte dos cerca de US$ 40 milhões que os dois operadores teriam movimentado durante a atuação deles no esquema criminoso junto à Petrobras.

O pagamento de US$ 6 milhões aos dois senadores foi relatado em depoimento do lobista Fernando Baiano, delator da Lava Jato , ao Ministério Público Federal. A informação também foi confirmada pelo ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

A Operação BlackOut, deflagrada nesta quinta-feira, também tinha como alvo um terceiro operador financeiro, Apolo Santana Vieira. Conforme a denúncia, Apolo teria mantido conta no exterior que repassou ao menos US$ 5 milhões em propinas acertadas nos contratos de fornecimento de navios-sondas à Petrobras.

Apolo também teve o pedido de prisão expedido por Moro, mas a decisão foi revogada uma vez que o magistrado teve conhecimento de que o operador negocia um acordo com o Ministério Público.

Defesa

Em nota, o senador Renan Calheiros negou as acusações e disse que, apesar de conhecer o operador Jorge Luz, eles não se encontram há 25 anos. 

"O senador Renan Calheiros reafirma que a chance de se encontrar qualquer irregularidade em suas contas pessoais ou eleitorais é zero. O senador reitera ainda que todas as suas relações com empresas, diretores ou outros investigados não ultrapassaram os limites institucionais", diz o comunicado distribuído pelo peemedebista.

O senador Jader Barbalho também rechaçou a informação de que participou de um jantar com Nestor Cerveró e Jorge Luz para tratar do pagamento de propina.


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