Após ataque químico, EUA lançam mísseis em em base militar síria; Rússia condena

Exército americano lançou 59 mísseis em direção à Síria em retaliação à ataque com armas químicas; governo russo repudia a ação de Trump
Divulgação/Facebook/Donald J. Trump
Donald Trump autorizou o lançamento de mísseis em direção à base militar na Síria

O Exército americano lançou, na noite desta quinta-feita (6), 59 mísseis 'U.S. Tomahawk' em direção à uma base militar localizada na Síria. O Exército sírio informou que o local foi completamente destruído e que seis pessoas morreram no ataque. O número de feridos não foi divulgado.

O lançamento foi uma retaliação ao ataque químico da Síria em Khan Sheikhoun, na província de Idlib, que foi feito com gás sarin, matando 86 pessoas, entre elas 26 crianças, segundo o levantamento do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). Segundo o Exército americano, a base aérea de Homs, alvo dos mísseis, foi responsável pelo ataque químico.

O ataque norte-americano partiu de navios, e já estava sendo planejado desde a última terça-feira. Algumas horas após o ataque, o governo dos EUA divulgou vídeos com os lançamentos.

O lançamento dos mísseis aconteceu um dia após o presidente americano, Donald Trump, sinalizar que poderia retaliar o governo sírio, comandado por Bashar al-Assad. "Acho que o que Assad fez é terrível. O que aconteceu nas Síria foi uma desgraça para a humanidade", disse Trump, ao se pronunciar sobre o ataque químico.

No passado, o ex-presidente do Estados Unidos, Barack Obama, já havia ameaçado combater Assad. Trump, por sua vez, sempre procurou manter distância da política na Síria, e colocava Assad com um "aliado na luta contra o Estado Islâmico". No entanto, o ataque químico mudou a opinião e a estratégia do presidente americano.


Logo após o lançamento dos mísseis, Trump falou com jornalistas na Flórida e convocou "as nações civilizadas para combater o regime sírio". Segundo o presidente americano, o regime de Assad já foi longe demais e, para parar o banho de sangue, uma ação foi necessária. Anadolu Agency
Ataque químico foi a gota d'água para retaliação americana ao governo sírio

Depois, em pronunciamento oficial, Trump seguiu a mesma linha de pensamento. "Na última terça-feira, o ditador sírio Bashar al-Assad, lançou um terrível ataque químico em Khan Sheikhoun, matando inocentes, entre eles, crianças indefesas e pequenos bebês", disse o presidente. "É um interesse vital dos Estados Unidos coibir o uso de ataques químicos brutais como esse", completou.

Segundo Trump, foram anos e anos tentando mudar o comportamento de Assad, mas sem resultados. De acordo com ele, o presidente sírio é o grande culpado pela crise dos refugiados. No final do discurso, ele disse que reza pelos mortos e feridos e disse que algo precisava ser feito para combater a crueldade do regime sírio.

Quem apoia e quem condena o ataque 

Muito se espera das consequências diplomáticas diante da retaliação americana, principalmente em relação à Rússia, antiga aliada da Síria e do regime de Assad. De acordo com o Pentágono, no entanto, as autoridades russas foram avisadas antes do lançamentos dos mísseis, para que seus soldados pudessem ser retirados da base militar que foi alvo dos mísseis.

O governo russo no entanto, manifestou descontentamento com a atitude de Trump. "O ataque foi uma agressão contra um estado soberano, baseada em pretextos inventados", declarou Dmitry Peskov, porta-voz do governo da Rússia. "Esta ação de Washington causa um dano considerável nas relações russo-americanas, que já se encontram em um estado lamentável", completou o diplomata, causando ainda mais tensão. A Rússia ainda pediu uma reunião urgente no Conselho de Segurança da ONU para discutir o assunto. 

O governo do Irã, outro aliado importante de Assad, também repudiou o ataque americano. “O Irã condena veementemente quaisquer ataques unilaterais”, declarou Bahram Qasemi, porta-voz do Ministério do Interior iraniano.

Outro problema que Trump pode enfrentar se deve ao fato do presidente americano não ter consultado o Congresso antes de autorizar os ataques, como manda a Constituição dos Estados Unidos. Deputados democratas e mesmo alguns republicanos não teriam gostado da atitude centralizadora de Trump. Segundo o presidente, no entanto, o lançamento dos mísseis era uma questão de segurança nacional, e não haveria maneira de discutí-lo.

Países aliados dos Estados Unidos, no entanto, aprovaram a ação de Trump. Alemanha, França, Israel, Turquia, Reino Unido, Japão, entre outros, entenderam que o lançamento dos mísseis foi necessário para combater um governo que está atacando a própria população. A chanceler alemã Angela Merke e o presidente francês François Hollande, declaram que Assad é o culpado pela retaliação americana.


A situação na Síria 

O conflito armado na Síria foi iniciado em 2011 e, desde então, mais de 470 mil pessoas morreram, de acordo com estimativas do Centro Sírio para Pesquisas Políticas. Segundo a ONU, a guerra também levou cerca de 10 milhões de sírios a cruzarem a fronteira do país em busca de paz.

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