Policiais invadem o Congresso e entram em confronto com segurança legislativa


Com a confusão, vidraças foram quebradas e bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral foram lançadas para dispersar os manifestantes

Fábio Góis/Congresso em Foco
Confusão termina com vidro quebrado na entrada principal do Congresso
Um grupo de cerca de três mil policiais civis policiais civis, militares e guardas municipais, entre outros profissionais de segurança pública, faz uma manifestação, na tarde desta terça-feira (18), para protestar contra a reforma da Previdência em análise na Câmara. Com caminhão de som e alegorias como cruzes, faixas e até uma espécie de lápide, eles foram ao Parlamento para participar de audiência pública no Senado e, do lado de fora, na área gramada ao lado dos espelhos d’água, manifestavam-se pacificamente em frente ao prédio. Até que um grupo mais exaltado, com cerca de 500 homens, tentou entrar pela entrada conhecida como chapelaria e foi contido pelos policiais legislativos e tropas de choque da Polícia Militar. Com a confusão, vidraças foram quebradas e bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, além de spray de pimenta, foram lançadas para dispersar os manifestantes.

Ao todo, seis bombas de efeito moral foram lançadas, espalhando o barulho pelas cercanias do Congresso e dando início à confusão. De imediato, a polícia legislativa das duas Casas foram acionadas, colocando em campo uma operação de emergência. Com entradas isoladas e acessos obstruídos pelos agentes, servidores, parlamentares e imprensa encontraram dificuldade de deslocamento tanto no Senado quanto na Câmara – uma nota foi divulgada por esta Casa ao final do episódio (leia abaixo).

Mesmo com a confusão generalizada nas cercanias do Congresso, parlamentares mantiveram as atividades, um tanto abaladas depois da divulgação da lista do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), com suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção montado na Petrobras.

Os protestos foram organizados pela União dos Policiais do Brasil (UPB), com apoio de entidades como a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB). As centrais dizem que o governo não considera a natureza especial da categoria (atividade de risco) e exigem que o texto da reforma não a atinja.

Entidade que reúne 30 sindicatos da categoria, a UPB foi criada no final do ano passado. Uma das agremiações que ela abriga é a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), que representa 27 sindicatos de policiais em todo o país. Com milhares de associados, a Fenapef já avisou em comunicado divulgado hoje (18) que, “caso o governo insista em aprovar o texto atual da PEC 287, os policiais farão um ato simbólico de paralisação por meio da entrega de armas e coletes”.

“A mobilização visa pressionar os deputados a rejeitarem pontos que prejudicam a categoria como a retirada da atividade de risco do texto constitucional, alteração do tempo de serviço sejam modificados no texto do relatório da PEC 287, que deve ser apresentado na manhã de hoje pelo relator, o deputado Arthur Maia (PPS-BA), presidente da Comissão”, diz trecho da mensagem (leia a íntegra).

Recuo

Como este site mostrou mais cedo, o governo recuou no conteúdo do relatório do deputado Arthur Maia (PPS-BA) e aceitou reduzir para 60 anos a idade mínima de aposentadoria de policiais e professores. Devido à pressão de diversas categoriais e ao temor do governo em sofrer uma derrota no voto, foi adiada a votação do parecer na comissão especial que analisa a matéria na Câmara.

As duas atividades são consideradas insalubres e, por isso, o governo aceitou flexibilizar a regra para a requisição do benefício. Esse era o item do texto pendente de resolução no acordo político fechado na noite desta segunda-feira (17) entre o presidente Michel Temer e os partidos que o apoiam no Congresso.
Leia a nota divulgada pela Câmara:
“Cerca de 500 manifestantes, em sua maioria policiais, tentaram invadir a Câmara dos Deputados na tarde de hoje. A tentativa de invasão ocorreu no local conhecido como Chapelaria, no prédio principal, mas foi evitada pela Polícia Legislativa da Câmara, que conteve os manifestantes.
Os invasores quebraram várias portas de vidro da Chapelaria, mas ninguém se feriu, uma vez que os vidros das portas são revestidos com películas antitumulto, que impedem o espalhar dos cacos após o despedaçamento. Também não houve feridos no trabalho de contenção dos manifestantes, feito pelos agentes do Departamento de Polícia Legislativa da instituição (Depol).
Durante o tumulto, um dos manifestantes foi detido e posteriormente liberado, após assinar um termo de compromisso de comparecimento à Justiça.
O Depol está analisando as imagens das câmeras de segurança para identificar os responsáveis pelos danos patrimoniais causados à Câmara.
Assessoria de Imprensa da Câmara dos Deputados”
Fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br

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