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Os principais pontos do interrogatório de Lula e dos embates entre ele e o juiz Sérgio Moro

Em cinco horas de interrogatório, ex-presidente reclamou de “caçada jurídica”, da imprensa, do Ministério Público e da atuação do próprio juiz. E negou saber de corrupção na Petrobras, de ser dono de apartamento da OAS e de ter influência no PT
Com negativas em relação às acusações que lhe são dirigidas, fartas críticas à imprensa, ao Judiciário e ao Ministério Público e forte defesa de suas ações de governo, o ex-presidente Lula respondeu por cinco horas a perguntas do juiz Sérgio Moro e de procuradores da Operação Lava Jato. O primeiro encontro entre o ex-presidente e o juiz foi marcado por muita expectativa e manifestações de uma legião de seguidores do petista, que o acompanharam em Curitiba. Embora o clima entre os dois tenha sido de civilidade, não faltaram embates mais ásperos.
“Eu queria lhe avisar uma coisa, esses mesmos que me atacam hoje, se tiverem sinais de que eu serei absolvido, prepare-se, porque os ataques ao senhor vão ser muito mais fortes”, advertiu o ex-presidente. “Infelizmente já sou atacado por muita gente, inclusive por blogs que supostamente patrocinam o senhor. Padeço dos mesmos males que o senhor, em certa medida”, respondeu o juiz.
Confira os principais pontos do interrogatório no processo que apura se o petista recebeu um apartamento triplex da OAS em troca de apoio à empreiteira em contratos com a Petrobras. E, logo ao final do texto, assista à integra do depoimento:

Lula x Moro
Moro: “Houve alguns boatos no sentido que poderia ser decretado sua prisão durante este ato e isto são boatos que não tem qualquer fundamento. Imagino que seus advogados já tenham lhe alertado que não tem essa possibilidade, mas para lhe deixar tranquilo, eu lhe asseguro de pronto e expressamente que isto não vai acontecer”
Lula: “Moro, eu vim aqui preparado para responder tudo o que perguntar não ficar nervoso. Sabe, se tem uma coisa que eu me preparei é para não ficar nervoso”
Lula: “Doutor Moro, o senhor se sente responsável pela Lava Jato ter destruído o setor de construção civil? Por 600 mil pessoas que perderam emprego?”
Moro: “O senhor entende que o que prejudicou essas empresas foi a corrupção ou o combate a corrupção?”
Lula: “Foi o método de combater a corrupção. Quando um juiz e os acusadores se submetem à imprensa para prender as pessoas, tudo o mais é possível, doutor”
Lula: “Eu, pacientemente, assumi a Presidência quando todos os intelectuais brasileiros, sobretudo os economistas, diziam que o país iria acabar, não se sustenta, não tinha dinheiro para pagar suas importações, devia 30 bilhões ao FMI. Todo final de ano alguém era obrigado a correr o mundo para pegar dinheiro para fazer o fechamento de caixa”
Moro: “Não sei quanto vai durar seu pronunciamento final, não é para fazer um apanhado do que você fez no seu governo, não é programa eleitoral…”
Lula: “Eu tenho 71 anos de idade, 5 filhos e oito netos, e tenho netos de 4 anos de idade, de 5 anos de idade, que sofrem bullying na escola por conta de mentiras”
Lula: “Nem eu, nem o senhor, nem o Ministério Público, nem a Petrobras, nem a imprensa, nem a Polícia Federal. Todos nós só ficamos sabendo (do esquema de corrupção na estatal) quando foi pego no grampo a conversa do (Alberto) Youssef com o Paulo Roberto (Costa)”
Moro: “O senhor que indicou ele ao Conselho de Administração da Petrobras. É uma situação diferente de mim, que não tenho nada a ver com isso, nunca participei disso”
Lula: “O senhor que soltou o Youssef e mandou grampear. Poderia saber mais do que eu”
Moro: “Eu decretei a prisão do Alberto Youssef, é um pouco diferente”
Lula: “Eu falo vazamento que sai para a imprensa, porque determinadas coisas são feitas, eu conheço os vazamentos, eu sei os vazamentos, é como se o Lula tivesse pela imprensa, pelo Ministério Público, sendo procurador, procura-se vivo ou morto”
Moro: “Senhor presidente, tem uma acusação, essa acusação é pública, pela Constituição e pelas leis, não tem como manter sigilo sobre ela. Não existe vazamento em relação a essas ações penais. Essa ação é publica”
Lula: “Esse que é o problema: à medida que foi feito um acordo de que não é possível, na Lava Jato, condenar políticos importantes ou pessoas ricas sem o apoio da imprensa, se adotou a política de primeiro a imprensa criminalizar”
Moro: “Só para esclarecer, senhor presidente, eu compreendo sua reclamação contra a imprensa. A imprensa tem a liberdade dela, enfim, mas não é a imprensa que faz a acusação neste processo”
Lula: “A imprensa é o principal julgador disso! Veja, eu sei que o senhor vai dar a versão final como juiz. Mas se não fosse o Lula ser o que ele é, ter a relação com o Brasil que ele tem, nenhum cidadão aguentaria 10% do que eu estou aguentando. É só assistir o Jornal Nacional hoje que o senhor vai ver ”
Moro: “A imprensa não tem qualquer papel no julgamento desse processo. O juiz não tem nenhuma relação com o que a imprensa publica ou não publica”
Lula: “O vazamento de conversas minhas, da minha mulher e dos meus filhos, foi o senhor que autorizou”
Lula: “Eu queria lhe avisar uma coisa, esses mesmos que me atacam hoje, se tiverem sinais de que eu serei absolvido, prepare-se, porque os ataques ao Sr. vão ser muito mais fortes”
Moro: “Infelizmente já sou atacado por muita gente, inclusive por blogs que supostamente patrocinam o senhor. Padeço dos mesmos males que o senhor, em certa medida. Entretanto, vou encerrar aqui essas declarações, mas lhe asseguro que será julgado com base nas leis e nas provas do processo. Fique seguro quanto a isso”
Ministério Público e imprensa
“Estou sendo julgado pelo que eu fiz no governo. Eu estou julgado pela construção de um PowerPoint mentiroso”
“Como eles (procuradores) contaram uma primeira inverdade, eles vão morrer contando inverdade, porque ficaram prisioneiros da imprensa”
“O Dr. Dallagnol deveria estar aqui para explicar aquele famoso PowerPoint. Aquilo é uma caçamba, onde cabe tudo”
“Estou sendo vítima da maior caçada jurídica que um político brasileiro já teve”
“Aqui na sua sala tiveram 73 testemunhas. Grande parte de acusação do Ministério Público e nenhuma me acusou. O que aconteceu nos últimos 30 dias, d m, vai passar para a história como ‘o mês lula’ porque foi o mês em que vocês trabalharam, sobretudo o Ministério Público, para trazer todo mundo para dizer uma senha chamada Lula. O objetivo era dizer Lula. Se não dissesse Lula, não valia”
“Dr. Moro, é importante que o senhor saiba: de março de 2014 para cá, são 25 capas na Isto É, criando a imagem de monstro. Na revista Veja são 19 capas. Na Época, 11 capas. Dentro [das revistas] é demonizando o Lula. Meus acusadores nunca tiveram 10% do respeito que eu tenho por eles”
“O objetivo é tentar massacrar este cidadão, que tem que pagar um preço por existir. Este cidadão cometeu o crime de provar que esse país pode dar certo”
“Quando um político comete um erro, ele é julgado pelo povo, não pelo Código de Processo Penal. Eu já fui julgado pelo povo”
Delação de Léo Pinheiro
“Eu entendo e acompanho pela imprensa que pessoas como Leo Pinheiro estão há algum tempo tentando fazer delação. Primeiro ele foi condenado a 23 anos de prisão. Depois se mostram na televisão como é a vida de nababo dos delatores. O cara fala: porra, eu estou condenado a 23 anos e os caras pagaram uma parte estão vivendo essa vida? Então, delatar virou quase o alvará de soltura dessa gente”
“Me encontrei com Léo Pinheiro (em 2014) mais de uma vez. Jamais disse pro Léo o que ele falou (que o ex-presidente o orientou a destruir eventuais provas)”
Triplex e Dona Marisa
“Não havia (intenção de comprar) no início, não havia no fim. Nunca houve intenção de adquirir aquele triplex”
“Tomei conhecimento desse apartamento em 2005. E fui voltar a tratar desse apartamento em 2013. Somente em 2013 fui ver o tal triplex. Antes (Marisa) nunca mencionou”
“Estive em 2014. O Léo esteve no escritório dizendo que o apartamento tinha sido vendido e que ele tinha outros apartamentos e o tríplex. Eu vi o apartamento, coloquei  500 defeitos no apartamento”
“Quando fui ver, me dei conta de que jamais poderia ter um apartamento na praia das Astúrias (por ser uma pessoa pública) e que o apartamento era pequeno para uma família de 5 filhos e 8 netos”
“Até a dona Marisa tinha uma coisa importante: ela não gostava de praia. Ela nunca gostou de praia. Certamente ela queria o apartamento pra fazer investimento”
“Eu não sabia que tinha tido visita (pela segunda vez ao triplex). Não sei se o senhor tem mulher, mas nem sempre ela pergunta para a gente o que vai fazer”
“Me parece que ela foi com meu filho Fábio (ao triplex), e o apartamento dela estava todo desmontado. Certamente ela ia dizer que não queria mais o apartamento, porque quando fui ao apartamento percebi que aquele apartamento seria inutilizado por mim. Por ser uma pessoa pública, eu só poderia ir à praia ou na segunda-feira ou na quarta-feira de cinzas”
“Uma das causas que ela [Marisa Letícia] morreu foi a pressão que ela sofreu”
“O que eu quero é que se pare com ilações e que me diga qual é o crime que eu cometi. O crime não é conversar com alguém na agenda. O crime não é ter ido ver um triplex. O crime, eu cometi, se eu comprei o apartamento, se tem documento que eu comprei, se me deram a chave, seu eu dormi lá alguma vez, se a minha família dormiu, se tem escritura pública”
Corrupção na Petrobras
“O presidente da República não participa do processo de licitação da Petrobras, não participa de tomada de Petrobras. É um problema interno da Petrobras”
“Não conheço esse cidadão (Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras que disse que corrupção na estatal abastecia campanhas do PT), não sei quanto ele devolveu, se ele distribuiu dinheiro para o PT a alguém, ele que falou, ele que sabe. Não tenho conhecimento”
“(Ao ouvir que Barusco admitiu ter desviado R$ 204 milhões da Petrobras) Roubou muito, heim! Um ladrão assim deve ser tão esperto que só se sabe se for delatado”
“Se, em algum momento, um dos 204 milhões de brasileiros chegasse ao presidente da Republica e dissesse que tinha esquema de corrupção na Petrobras seria mandada embora toda a diretoria da Petrobras”
“Tudo que sei da Petrobras é pela imprensa, depois da delação do Yousseff”
“Indiquei tanta gente. (Não tenho) Nenhuma responsabilidade (no esquema de corrupção)”
João Vaccari
“Eu aprendi com vocês, advogados, que todo mundo é inocente até provar que ele é culpado. Portanto, o Vaccari era tratado por mim como um dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores. E eu não conversava de finanças do PT porque não era da direção do PT”
“Ele sempre negou. Não importa se eu perguntei ou não. Ele sempre negou. Negou pela imprensa, negou publicamente. Sinceramente, não interessa se eu perguntei. Não é que eu não gostaria de responder. É que o Vaccari não devia explicações a mim. Ele era da executiva nacional do PT e eu não era. E o PT não tinha de prestar contas para mim”
“Para acabar nossa polêmica aqui vamos dizer: eu perguntei e ele disse que não. Tá bom? Tá bem assim? Porque você precisava de qualquer jeito de uma resposta, então eu estou dando, ué. Vai ficar nesse trocadilho entre o procurador e um ex-presidente, então eu quero resolver isso. Espero que não seja por essa resposta minha que eu seja condenado”
Renato Duque
“Tive uma vez no aeroporto de Congonhas, se não me falha a memória, porque tinha vários boatos de corrupção e de conta no exterior. Eu pedi para que o Vaccari porque eu não tinha amizade com o duque trazer o duque para conversar. Foi numa gala em Congonhas. E eu fiz a pergunta simples: tem matérias nos jornais e denuncias que você tem dinheiro no exterior. Que tá pegando da Petrobrás e colocando no exterior. Você tem conta no exterior? Ele disse: ‘eu não tenho’. Eu falei: ‘acabou, se não tem, não mentiu pra mim, mentiu para ele mesmo’”
“Fiquei muito puto da vida, muito puto. Falei, ele disse que não. Se ele disse que não, não mentiu pra mim, mas pra consciência dele”
“Não sei (da relação entre Duque e Vaccari). O Vaccari está preso, você pode perguntar para o Vaccari. O Duque está preso, você pode perguntar ao Duque”
Influência no PT
“Essa influência dentro do Partido dos Trabalhadores (me atribuem), é porque o Ministério Público não conhece o PT. Se eles conhecessem o PT, não falariam isso. O PT é um partido… eu não participo de uma reunião do PT desde que fui eleito presidente da República em 2002. Em 2014, quando deixei a presidência comecei a participar. Não tenho nenhuma influência no PT, eu tenho na sociedade. Alguns ouvem, nem todos. Não era dirigente do PT”
Impeachment
“Eu fazia reuniões sistemáticas com líderes (dos partidos). Se a presidente Dilma tivesse me seguido, não tinha tido o impeachment”
Sobre mandar prender acusadores
“Eu quis dizer o seguinte. A história não para com esse processo, a história um dia vai julgar se houve abuso ou não de autoridade nesse caso do comportamento, tanto da Polícia Federal quanto do Ministério Público, no meu caso.”
Veja a íntegra do interrogatório de Lula pelo juiz Sérgio Moro:

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