STJ afasta Wilson Witzel do cargo de governador do Rio de Janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), foi afastado nesta sexta-feira do cargo por determinação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida ocorre no momento em que a Procuradoria Geral da RepĂșblica (PGR), em parceria com a PolĂcia Federal (PF), cumpre mandados de prisĂŁo e de busca e apreensĂŁo contra agentes pĂșblicos, polĂticos e empresĂĄrios envolvidos, segundo a acusação, em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro do grupo liderado pelo governador.
Duas viaturas da PolĂcia Federal, uma delas descarecterizada, chegaram Ă s 6h14 no PalĂĄcio Laranjeiras, sede do Governo do Estado. O advogado de Witzel, Roberto Podval, disse que o "ministro Benedito desrespeita democracia, afasta governador sem sequer ouvi-lo e veda acesso aos autos para defesa. NĂŁo se esperava tais atitudes de um Ministro do STJ em plena democracia".
JĂĄ na casa do pastor Everaldo, as equipes chegaram Ă s 5h50. Os agentes esperaram atĂ© as 6h para entrar no edifĂcio. Quem acompanha as buscas na casa de Everaldo Pereira Ă© a procuradora da RepĂșblica Fabiana Schneider. AlĂ©m dela, uma delegada da PolĂcia Federal - com trĂȘs agentes - comandam a ação. A assessoria de imprensa do polĂtico disse que “o pastor Everaldo sempre esteve Ă disposição de todas as autoridades e reitera sua confiança na Justiça”.
Everaldo Pereira estĂĄ em casa e acompanha as buscas que estĂŁo sendo feitas pelos agentes da PF. O polĂtico recebeu voz de prisĂŁo logo apĂłs a procuradora ler seus direitos. Foi um filho dele que abriu a porta da cobertura onde ele mora.
Outro alvo de busca é o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado André Ceciliano (PT). Ele não foi afastado do cargo.
O esquema, concluiu a investigação, consistiu em cobrar propina para a contratação emergencial e para liberação de pagamentos a organizaçÔes sociais (OSs) que prestam serviços ao governo, especialmente nas ĂĄreas de saĂșde e educação. A PGR sustenta que Witzel usou o escritĂłrio de advocacia da mulher, Helena, para receber dinheiro desviado por intermĂ©dio de quatro contratos simulados no valor aproximado de R$ 500 mil - cerca de R$ 15 mil mensais de cada uma das quatro.
Um email escrito por Witzel, apreendido pela PGR, orienta os interessados a redigir o contrato com o escritĂłrio de Helena. Chamou tambĂ©m a atenção dos investigadores a participação da primeira-dama em um processo de execução fiscal da famĂlia do mĂ©dico Gothardo Lopes Netto, ex-prefeito de Volta Redonda e ex-deputado estadual, dona do Hospital Infantil e Maternidade Jardim AmĂĄlia Ltda (HINJA), maior unidade de saĂșde privada do municĂpio.
R$ 15 mil por apenas uma petição
O processo, que tramita na Justiça Federal de Volta Redonda, jå tinha como patrono o advogado Lucas Tristão, ligado ao esquema; porém, no decorrer da ação, a primeira-dama entrou com uma petição para avisar que estava ingressando na mesma causa e passando a advogar para o hospital. à quando, segundo as investigaçÔes, passou a receber os R$ 15 mil mensais apenas por esse serviço. Não hå nenhum outro documento no ùmbito desse processo que tenha justificado o vultoso pagamento por apenas uma petição, diz a PGR.
Sob comando de Witzel, o governo canalizou os abundantes recursos do combate ao COVID para a contratação de organizaçÔes sociais e autorizou compras direcionando as licitaçÔes com o uso de empresas de fachada. Ao mesmo tempo, priorizou o pagamento de dĂvidas antigas (restos a pagar) dos aliados - restos a pagar sĂŁo serviços e compras efetuados nos anos (exercĂcios) anteriores e que nĂŁo foram pagos.
As revelaçÔes da operação de hoje sĂŁo um desdobramento de outras duas açÔes da força-tarefa deflagradas hĂĄ trĂȘs meses: a Favorito, que prendeu o empresĂĄrio MĂĄrio Peixoto, um dos cabeças do esquema; e a Placebo, 12 dias depois, chegando Ă s casas de Witzel e do ex-secretĂĄrio estadual de SaĂșde Edmar Santos, investigados por desvios de dinheiro pĂșblico destinado Ă montagem de seis hospitais de campanha do estado para o tratamento da Covid-19.
A delação de Edmar foi fundamental para a decisão do STJ.


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