Por que os cubanos protestam em frente ao Capitólio de Havana

As demonstrações de cubanos contra a ditadura comunista já duram dois dias . Além de andar pela avenida costeira, o Malecón, os manifestantes têm se concentrado em frente ao Capitólio (foto), o imponente prédio que fica no centro de Havana.
Com linhas inspiradas no Capitólio em Washington, o edifício foi construído para ser a sede das duas câmaras legislativas, em 1929. Com a Revolução de 1959, que substituiu a ditadura de Fulgêncio Batista pela ditadura atual, o Congresso foi fechado. Quando se criou uma Assembleia Nacional, os deputados comunistas passaram a se reunir em outro lugar, uma semana por ano.
O prédio, assim, foi abandonado, tornando-se escritório de algumas poucas repartições públicas. Sua cúpula seguiu aparecendo nas fotos de turistas que, sem poder entrar, tiram selfies da escadaria. O ex-ditador Raúl Castro investiu na restauração do prédio, com a intenção de transferir a Assembleia para lá, mas isso ainda não aconteceu.
Para alguns cubanos, a escolha do Capitólio como local de protestos é intencional. "O Capitólio é um espaço com forte poder simbólico. Lá funcionou o Congresso, até que Fidel Castro decidisse acabar com ele. Quando Fidel criou a Assembleia Nacional, sob seu controle absoluto, ele a transferiu para outro lugar", diz Maria Faguaga, antropóloga cubana que vive em São Paulo. "Também é um lugar perto dos hotéis mais caros de Cuba, o que indica que os cubanos miseráveis estão querendo mandar uma mensagem para os mais abastados."
O jornalista e analista político cubano Pedro Corzo, do site Cuba Memorial, também acredita que a escolha desse local para pedir o fim da ditadura fortalece a mensagem política.
"A maioria dos manifestantes é jovem. Eles nunca viram esse edifício em funcionamento, como o centro do debate político em Cuba. Então, é muito interessante que se concentrem nesse lugar", diz Pedro Corzo. "Acredito que a escolha do prédio como local de protesto tenha sido para acentuar seu caráter político. Os jovens estão cansados da ditadura e querem algo melhor, que pode ser a democracia que existiu no passado, com todas as suas imperfeições."
Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/


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