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"Presidente falar contra vacina traz prejuízos para o Brasil", diz Franciele

Franciele Frantinato, ouvida nesta quinta na CPI da Covid como investigada teve sigilos telefônico e telemático quebrados e deixou o cargo em 30 de junho.

Divulgação/Agência Senado/Edilson Rodrigues
Franciele Fratinato chegando ao Senado Federal nesta quinta-feira, 08

A ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, ouvida na CPI da Covid nesta quinta-feira, 08, disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se posicionar contra a vacina ao longo da pandemia acarretou prejuizos para o processo de vacinação da população brasileira.  Assista ao vivo:

"Como coordenadora do programa de imunização, eu preciso de apoio que seja favorável a fala em relação a vacinação. Então, quando o líder da nação não fala favorável, a minha opinião pessoal é que isso pode trazer prejuízos, se me pedir se eu tenho números disso, eu não tenho elementos. Mas eu, enquanto coordenadora, precisava que a gente tivesse um direcionamento único", disse Fraciele.

A depoente ainda defendeu a vacinação, como arma eficaz para combater a pandemia. "Há evidências que mostram que a vacinação é um meio eficaz pra que a gente possa controlar a pandemia. Quando a gente tem ciência, quando a gente tem segurança no produto que a gente tá usando, quando os resultados apontam de forma favorável aquilo pode trazer um resultado pra população, ter uma politização do assunto, por meio do líder da nação e de qualquer indivíduo, vai trazer dúvidas à população brasileira. Há a necessidade de ter uma comunicação única, de qualquer cidadão, de qualquer escalão", afirmou. Veja:


A servidora também alegou a falta de um plano nacional de comunicação em prol da vacinação e disse que faltou recursos para executar um plano bem sucedido de imunização da população.

"O PNI sabia muito bem o que precisava fazer. Sempre soube. É assessorado pelos conselhos, pelas sociedades científicas, pelos maiores especialistas brasileiros na área de vacinação. São 47 anos de ampla expertise em vacinação. Faltou para o PNI, sob a minha coordenação, quantitativo suficiente para execução rápida de uma campanha. E campanhas publicitárias para segurança dos gestores, profissionais de saúde e população brasileira. Há que se considerar que o PNI, sob qualquer coordenação, não consegue fazer uma campanha exitosa sem vacinas e sem comunicação", afirmou. Veja:


Franciele foi responsável por editar uma nota técnica recomendando aos estados a vacinação de gestantes com uma primeira dose da AstraZeneca e uma segunda de qualquer outra disponível. Ela pediu desligamento do Ministério da Saúde no dia 30 de junho, segundo ela "por questões pessoais", devido à "politização" da vacinação no Brasil. Ela teve seus sigilos telefônico e telemático quebrados.

Ouvida na condição de investigada, Franciele não quis assinar o termo de compromisso de que falará apenas a verdade na CPI. Ela está amparada por uma decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Roberto Barroso, que garante o direito de não assinar termo. A decisão também garante que ela não seja obrigada a responder a toas as perguntas, caso considere que pode se incriminar em algum ponto.

Os senadores querem entender a atuação do corpo técnico do Ministério da Saúde do governo Bolsonaro na pandemia da Covid-19. Aumento do número de casos, baixa adesão a vacinação e informações sobre a atuação do 'gabinete paralelo' também devem ser questionados a Franciele.

Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/

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