RIO BRANCO: Por mais acessibilidade, deficientes físicos fazem cadeiraço na cidade

Com faixas e cartazes, deficientes físicos e familiares percorreram algumas ruas do Centro de Rio Branco, na tarde desta segunda-feira (21), em um 'cadeiraço', pedindo, principalmente, mais acessibilidade. O evento - organizado pelo Centro de Apoio à Pessoa com Deficiência Física do Acre (Capedac) - tinha o objetivo de dar mais visibilidade à luta e cobrar do poder público mais atenção a problemas pontuais como o transporte coletivo.

"Queremos cobrar de uma forma pacífica, em geral, acessibilidade e estamos comemorando o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência [nesta segunda-feira, 21]. O transporte coletivo, por exemplo, precisa ser melhorado", afirma o presidente do Capedac, Edvânio Silva.

De acordo com o presidente, as principais dificuldades no dia a dia de quem precisa do transporte público são as plataformas e o preconceito. "Enfrentamos a falta de manutenção nas plataformas dos ônibus e até mesmo o preconceito de motoristas e cobradores, que às vezes não querem parar, porque demora muito para embarcar um cadeirante. Para isso, a Capedac faz um trabalho de palestras nessas empresas para tentar sensibilizar", acrescenta.

O deficiente físico José Aurismar Silva, de 30 anos, concorda e relata que o problema gera o prejuízo exclusivamente aos deficientes. "Sobre prioridades, as pessoas colocam saúde e educação. Para nós, deficientes físicos, a prioridade é transporte, porque através dele podemos chegar até a saúde, educação, esporte. Isso vai desde ruas asfaltadas e calçamento adaptado. Com essas coisas, fica mais viável chegarmos a esses setores", diz.

Capedac
Segundo o presidente Edvânio Silva, o Capedac existe há menos de um ano e possui em torno de 32 associados. Ele conta que o principal trabalho desenvolvido pelo centro é o de tentar resgatar a autoestima dos deficientes, que muitas vezes evitam sair de casa.

"O Capedac trabalha o emocional da pessoa com deficiência, porque não adianta ter calçada, transporte público adaptado, se a pessoa vai parar na cadeira de rodas e entra em depressão, ficando em quatro paredes. Nosso trabalho é ir nas casas e trazer esse deficiente de volta para a sociedade", acrescenta.

Uma vez por mês o centro realiza um momento de confraternização entre os associados nas dependências da Universidade Federal do Acre (Ufac). Para o futuro, ele pede que, principalmente, o setor privado se abra mais para apoiar esse tipo de iniciativa.

"Acredito que estão faltando as parcerias. Graças a Deus, temos uma parceria forte com a prefeitura, mas nas empresas privadas, infelizmente, encontramos portas fechadas muitas vezes. Por isso, ficamos com o nosso trabalho restrito por causa da falta de recursos", finaliza.

Do G1/Acre

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