MPF revela novo depoimento de Funaro para pedir permanência de Geddel na prisão

Procuradoria apresentou novo pedido de prisão preventiva alegando que o ex-ministro disse "exercer influência criminosa" sobre a Justiça; PF concluiu perícia em celular: Geddel ligou 16 vezes à esposa do lobista em 19 dias

O Ministério Público Federal apresentou à Justiça nesta quinta-feira (13) novo pedido de prisão preventiva do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que ganhou ontem o direito à prisão domiciliar por decisão do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). 


Os procuradores incluíram na petição, entregue ao Juízo da 10ª Vara Federal de Brasília, novos elementos contra Geddel Vieira Lima , que até então era acusado de pressionar a esposa de Lúcio Funaro, Raquel Pitta, para tentar evitar eventual acordo de delação premiada do lobista. Agora, o MPF apresentou também novo depoimento de Funaro sugerindo que o ex-articulador político do governo Temer alegava "exercer influência criminosa sobre o Poder Judiciário". A ação configura crime de exploração de prestígio, conforme entendimento dos procuradores.

Funaro disse aos investigadores que, após ele decidir substituir o advogado Daniel Gerber pela advogada Vera Carla em sua defesa, o ex-ministro Geddel enviou mensagens a Raquel reclamando da troca.

"Geddel mandou mensagem via WhatsApp dizendo, ao que se recorda: 'que porra é essa' e reclamou da troca de advogado de Lúcio, e disse que o advogado era bom e estaria fazendo tudo certinho, que estaria tudo certo para a saída dele, mas que com a entrada de Vera Carla tinha 'ficado ruim para o juiz'", aponta a transcrição do depoimento. 

Para os procuradores da República, as declarações de Funaro indicam que Geddel "não só tentava monitorar o ânimo de Lúcio Funaro em fazer possível colaboração premiada como também alegava, perante ele e sua família, exercer (direta ou indiretamente) influência sobre decisões que interessariam à defesa" do lobista. 

"Em troca dessa influência no Poder Judiciário, Geddel Vieira Lima pretendia de Lúcio Bolonha Funaro o benefício de não ser por este delatado em acordo de colaboração premiada", escrevem os procuradores Anselmo Henrique Cordeiro Lopes e Sara Moreira de Souza Leite na petição.

"Receio sobre a segurança de sua esposa e filha" 

O novo pedido de prisão contra o ex-chefe da Secretaria de Governo inclui conclusões de peritos da Polícia Federal que analisaram o aparelho celular de Raquel Pitta. De acordo com a análise, a esposa de Funaro recebeu 16 ligações de Geddel e efetuou uma única chamada ao ex-ministro em apenas 19 dias, no período entre 13 de maio e 1º de junho deste ano.

Em audiência de custódia realizada na última quinta-feira (6), Geddel confirmou ter conversado com Raquel em algumas ocasiões, mas negou que o assunto fosse uma eventual delação de Funaro. O ex-ministro disse que algumas das ligações não se completaram e que, em ao menos uma ocasião, ele ligou a Raquel por engano ao tentar telefonar para a pediatra de seu filho.

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